terça-feira, 17 de julho de 2012

Escarro.

Eu não sei porque mas sempre escrevi com muitos pontos finais. E ponto final. Final.
Chega engraçado alguém que escreve assim não conseguir colocar um ponto final em sua própria vida.
Além disso me lembro de nunca ter colocado os pingos nos 'iis'.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
 O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
 A mão que afaga é a mesma que apedreja.



Augusto dos Anjos - Versos Íntimos


Tantos sorrisos falsos,
Beijos camuflados,
Alegrias que hoje são meras poesias.
Tantas promessas em vão,
E hoje busco seu sorriso no chão.
O chão onde você me pisoteia.
Sem pudor
Sem amor
Mas de que adianta amar tanto alguém
Que no final só te faz sentir como um zé ninguém?
Escarra!
Escarra nessa boca que te beija.
Cospe fora tudo aquilo que te faz sentir um nada.
Põe pra fora o choro, o gozo,
O desespero!
E pára!
Parem o mundo.
Não quero ser nada,
Não quero ser ninguém.
Não tenho que estar ali,
Parada,
Completamente estática,
Enquanto todos a minha volta
Me sorriem hipocritamente
Deliberadamente.
Escarra!
Chute o nada se for preciso.
Copo vazio,
Mente vazia,
Mundo vazio.
Escarra!
Escarra naqueles que te olham por cima.
Naqueles que pisam, destroem, humilham.
Naqueles que muitas vezes não se importam.
Vomita todas as palavras que não foram ditas.
Vomita todas as lembranças que não foram lembradas.
Destrói todos os castelos construídos,
As ilusões imaculadas.
Levanta!
Levanta porque na vida tudo é reconstrução.
Quem sabe um dia eu aprenda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário