quarta-feira, 12 de março de 2014

Clareza

Tá tudo uma bagunça. Uma verdadeira confusão.
E como fazer para se achar em meio ao caos?

Nada vai bem. Parece tudo errado.
Eu fujo disso com todas as forças pra tentar me encontrar.
Me sufoco no vazio de tudo que um dia nós fomos, que um dia eu fui.

Tomei muito tapa na cara pra aprender a viver.
E ainda tenho dúvidas se realmente aprendi.

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Quando eu tinha 4 anos conheci a filha de um amigo da minha mãe. Ela tinha dois irmãos, ambos mais velhos. Como sempre fui muito moleca logo fiquei muito próxima ao irmão mais velho dela: Ramon.
Ele e eu aprontávamos todas e veio a se tornar o meu primeiro amor na infância. Éramos muito próximos, mas um dia a doença veio e logo o levou. Lembro-me da menina menor, com 14 anos, chorando aos prantos no velório, desesperada e perdida. Logo a abracei e segurei suas mãos. Tentei animá-la de todas as formas e os meses que se seguiram pareceram eternos. Era incabível pra mim que tanto sofrimento fosse incutido a uma pessoa tão serena e boa como ela. Ali, encontrei a metade que faltava em mim. Era, pra mim, a minha metade despedaçada e vazia. Tomei-a para mim e cuidei com carinho. Ninei em meus braços. Banhei-a na minh' alma. Com o tempo ela cresceu, ganhou forças e enfrentou o mundo. Mas continuou sendo a minha metade, só que agora forte, destemida e corajosa. Viveu e sofreu todas as desgraças e infortúnios na vida e continuou ali de pé. A admiração me tomava e cada vez mais a presença dela enchia a minha vida de alegria. Exemplo de pessoa, ela era uma pessoa brilhante e radiante, onde chegava conquistava a todos e ganhava todos os corações. Ganhei a vida vendo-a desabrochar tão lindamente. Um dia, minha menina, minha metade, um verdadeiro pedaço de mim se perdeu.... E eu me perdi junto. Onde você for, eu vou. Se você pula, eu pulo. E se você morrer... Eu morro.



Para Luciana,
com o maior amor que houver nesta vida e em mim.

Eu te amo.