Eu escrevo uma canção pra você.
Tenho tantos pensamentos em mente que fica difícil organizá-los.
Às vezes eles me deixam tão confusa e tão pra baixo que mal dá pra saber qual o real motivo da tristeza que me consome dia após dias, noite após noite.
É como se eu vomitasse todo o meu passado e tentasse reconstruir, tentando refazer cada passo meu.
Cada maldita pecinha do quebra-cabeça.
Mas como tudo que já foi digerido, nada está mais lá. Sobram apenas pedaços e fragmentos que me deixam cada vez mais confusa.
Acho que acabei parando no tempo e não sei como seguir em frente.
Minhas pernas estão pregadas ao chão e consigo ver, quase como um borrão, todos a minha frente... Caminhando, seguindo, respirando, vivendo.
Eu até tento seguir, eu até tento correr.. Com todas as forças que existem em mim.
Mas um hora eu canso. Desanimo. Desisto.
E a escuridão me engole. Os borrões desaparecem. As luzes se apagam. O choro sufoca.
E o grito ecoa e ecoa e ecoa. Mas quem irá escutá-los?
Me sinto como uma criança que acaba de se perder da mãe no meio da multidão.
Uma criança com medo do escuro na hora de dormir.
Mas no meu caso não existe criança. E nem multidão.
Existe o abismo que cresce infinitamente atrás de mim.
Cabe a mim a decisão de dar um passo à frente ou um à trás.
É como se a gravidade me prendesse ao solo com tamanha intensidade que, talvez, mover minhas pernas signifique uma dor muito maior.
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